Como trabalhamos
Cada caso começa por entender de onde a dor vem. Antes de indicar procedimento, investigamos a origem do sintoma e combinamos com você as etapas do tratamento.
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Avaliação da origem da dor
Caracterização clínica, exames de imagem e, quando indicado, bloqueio diagnóstico para identificar a estrutura que gera o sintoma.
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Decisão compartilhada
Você entende as opções — clínico, intervencionista ou cirúrgico — com riscos, benefícios e expectativa realista antes de qualquer escolha.
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Tratamento progressivo
Escalada por etapas: conservador → intervencionista → cirúrgico. Cada nível é considerado conforme resposta ao anterior.
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Acompanhamento próximo
Consultas de retorno periódicas, ajuste de medicação e reavaliação de indicação conforme evolução clínica.
Dor refratária na coluna
Quando a dor na coluna não responde ao tratamento: o que vem antes de pensar em cirurgia
Existe um grupo grande de pacientes em uma situação específica: a dor na coluna persiste, já se tentou medicação e fisioterapia por tempo adequado, e ainda assim não há indicação de cirurgia convencional. Entre “tomar analgésico e esperar” e “operar” existe um caminho intermediário, e é dele que este texto trata.
O primeiro passo é identificar de onde a dor vem. Uma das causas principais de dor lombar crônica é a síndrome facetária — dor originada nas pequenas articulações posteriores da coluna, que se desgastam com o tempo. Os bloqueios facetários e radiculares seletivos servem justamente a dois propósitos ao mesmo tempo: são método diagnóstico e terapêutico no manejo da dor lombar crônica, conforme estudo indexado na Biblioteca Virtual em Saúde. Quer dizer: a resposta ao bloqueio ajuda a confirmar qual estrutura está gerando o sintoma.
Confirmada a origem, a radiofrequência entra como opção. A técnica interrompe de forma controlada a condução do nervo sensitivo que inerva a articulação dolorosa. Uma revisão sistemática publicada na Revista Brasileira de Ortopedia concluiu que a maioria dos estudos aponta benefício da ablação por radiofrequência tradicional no alívio de dores lombares crônicas refratárias ao tratamento conservador. Uma revisão chilena sobre denervação facetária por radiofrequência sustenta que a utilidade da técnica está amplamente demonstrada nesse cenário.
Duas observações honestas, que importam mais que qualquer entusiasmo. A primeira: esses procedimentos controlam sintoma, não revertem a degeneração — o efeito tem duração variável e pode exigir repetição. A segunda: eles não substituem o tratamento ativo. Exercício e reabilitação continuam sendo a base; o procedimento costuma servir para abrir uma janela de alívio que torna a reabilitação possível.
Se você convive com dor na coluna que não cedeu ao tratamento conservador bem conduzido, uma reavaliação pode identificar a origem precisa do sintoma e definir se existe indicação intervencionista.
Dr. [Nome], CRM [número] — Neurocirurgia, Dor e Funcional. A indicação e a resposta ao tratamento variam conforme avaliação individual.
- Bloqueio facetário ou radicular — Procedimento guiado por imagem que aplica anestésico na articulação ou raiz nervosa suspeita. Funciona como diagnóstico (a resposta confirma a estrutura que gera o sintoma) e como terapêutica (alívio temporário).
- Radiofrequência — Aplicação de calor controlado no nervo sensitivo da articulação dolorosa, interrompendo a condução do estímulo de dor por período prolongado. Indicada após bloqueio diagnóstico positivo e tratamento conservador esgotado.
Neuromodulação — estimulação medular
Estimulação medular: para quem é, e por que os critérios são tão rígidos
A neuroestimulação medular consiste na aplicação controlada de estímulos elétricos na medula espinhal para o manejo de dor crônica de forte intensidade (Jornal Memorial da Medicina). É um método de neuromodulação empregado principalmente em dor de origem neuropática ou relacionada ao sistema nervoso simpático.
O que mais chama atenção nessa terapia não é a tecnologia. É o rigor com que se seleciona quem pode se beneficiar dela.
As diretrizes da Associação Médica Brasileira sobre neuroestimulação medular na dor crônica trabalham com um critério objetivo: pacientes que não apresentaram melhora da dor em pelo menos 50% na escala visual analógica e que não responderam ao tratamento conservador. Uma das indicações estudadas é a síndrome pós-laminectomia — a dor que persiste após cirurgia de coluna, um quadro particularmente difícil e frustrante para quem o vive.
Há ainda uma característica importante do método: o procedimento é feito em duas etapas, conforme nota técnica do e-NatJus. Primeiro se realiza um teste, com eletrodo temporário, para verificar se aquele paciente responde. Só diante de resposta satisfatória se implanta o sistema definitivo. Isso é incomum em medicina e é uma proteção real — evita implantar um dispositivo permanente em quem não vai se beneficiar dele.
Sobre a expectativa, o registro precisa ser preciso. A literatura descreve evidência de qualidade baixa a moderada demonstrando superioridade da estimulação medular sobre o tratamento médico convencional na redução da dor em quadros refratários. É um benefício documentado, e é também um benefício com grau de certeza limitado. O objetivo realista da terapia é reduzir intensidade de dor e recuperar função e qualidade de vida — não abolir a dor.
Se você tem dor crônica intensa que não respondeu a tratamento conservador adequado, inclusive dor persistente após cirurgia de coluna, uma avaliação pode esclarecer se o seu caso preenche os critérios.
Dr. [Nome], CRM [número] — Neurocirurgia, Dor e Funcional. A indicação e a resposta ao tratamento variam conforme avaliação individual.
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Critérios clínicos
Documentar melhora inferior a 50% na escala visual analógica com tratamento conservador adequado, identificar indicação (síndrome pós-laminectomia, neuropática refratária).
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Teste com eletrodo temporário
Eletrodo provisório implantado por alguns dias. O paciente registra o alívio em diário e a equipe avalia a resposta funcional.
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Avaliação de resposta
Critério de aprovação para o definitivo: melhora ≥50% na EVA e ganho funcional claro durante o teste.
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Implante definitivo
Sistema permanente implantado apenas após resposta satisfatória no teste — proteção contra dispositivo em quem não se beneficia.
Nervos periféricos comprimidos
Formigamento na mão que acorda de madrugada: o nervo pode estar comprimido
Existe uma queixa que se repete no consultório com uma descrição quase idêntica: formigamento na mão que piora à noite, acorda a pessoa, e melhora quando ela sacode o punho.
A síndrome do túnel do carpo é a compressão do nervo mediano na sua passagem pelo túnel do carpo, no punho (MSD Manuals). É a mais frequente das síndromes compressivas de nervos periféricos, conforme as diretrizes da Associação Médica Brasileira. O território de sintomas segue o trajeto do nervo — formigamento e perda de sensibilidade no polegar, no indicador e nos dedos adjacentes.
O tratamento tem uma ordem. Nos casos leves e moderados, a conduta é preferencialmente conservadora: analgesia, órteses e talas, ajuste de atividades e, em alguns casos, infiltração. A descompressão cirúrgica do nervo mediano é indicada nos casos persistentes, quando o tratamento conservador não resolve, e se torna mais claramente indicada quando há sinais de sofrimento do nervo — perda de sensibilidade estabelecida ou fraqueza e atrofia da musculatura da base do polegar.
Aqui está o ponto que justifica não postergar indefinidamente a avaliação. A compressão prolongada leva a dano do nervo, e dano estabelecido tem recuperação mais limitada que compressão recente. Tempo, nesse quadro, não é neutro.
O túnel do carpo é o exemplo mais conhecido, mas não o único. Outros nervos periféricos também sofrem compressão em pontos anatômicos específicos, cada um com seu próprio território de sintomas, e o diagnóstico se apoia em exame clínico somado a estudo de condução nervosa quando necessário.
Se você tem formigamento, perda de sensibilidade ou fraqueza em uma região específica da mão, do braço ou da perna, vale investigar qual nervo está envolvido e em que grau.
Dr. [Nome], CRM [número] — Neurocirurgia, Dor e Funcional. A indicação e a resposta ao tratamento variam conforme avaliação individual.
Tempo não é neutro
A compressão prolongada leva a dano do nervo. Dano estabelecido tem recuperação mais limitada que compressão recente. Em sinais persistentes (formigamento noturno, perda de sensibilidade, fraqueza), a avaliação precoce amplia a janela de tratamento conservador e reduz a chance de indicação cirúrgica tardia.
Neuralgia do trigêmeo
Choque no rosto ao escovar os dentes: a dor que costuma ser confundida com problema dentário
A neuralgia do trigêmeo produz uma dor com características muito próprias: choques intensos e breves em um lado do rosto, desencadeados por estímulos banais — escovar os dentes, lavar o rosto, falar, sentir uma corrente de ar, mastigar.
Por conta da localização, é comum que o caminho do paciente comece no dentista, e não raro com procedimentos odontológicos realizados sem que a dor melhore. Reconhecer o padrão encurta esse percurso.
O tratamento é primariamente medicamentoso, e o resultado inicial costuma ser expressivo. Carbamazepina e oxcarbazepina são drogas de primeira escolha e oferecem controle inicial significativo da dor em quase 90% dos pacientes, segundo revisão da Biblioteca Virtual em Saúde da Atenção Primária. A carbamazepina é titulada gradualmente e em geral é eficaz por longos períodos (MSD Manuals). Entre as duas, a oxcarbazepina tende a apresentar menos efeitos colaterais, conforme revisão do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.
A cirurgia entra quando o controle farmacológico falha, deixa de funcionar com o tempo, ou quando os efeitos adversos da medicação se tornam intoleráveis — situações reais e não incomuns nesse quadro. Existem diferentes procedimentos, e a escolha depende de idade, condições clínicas, achados de imagem e da presença de compressão vascular sobre o nervo. Essa é uma decisão individual, tomada caso a caso.
O que vale sublinhar: trata-se de uma dor com alto impacto sobre a vida diária — alimentação, higiene, fala, convívio — e que tem tratamento em mais de uma linha. Conviver com ela sem investigação adequada não é o único cenário possível.
Se você tem dor em choque em um lado do rosto, desencadeada por toque ou por atividades cotidianas, uma avaliação neurológica pode definir o diagnóstico e as opções.
Dr. [Nome], CRM [número] — Neurocirurgia, Dor e Funcional. A indicação e a resposta ao tratamento variam conforme avaliação individual.
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Carbamazepina
Anticonvulsivante de primeira escolha. Controle inicial em quase 90% dos casos, titulado gradualmente.
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Oxcarbazepina
Alternativa com perfil de efeitos colaterais geralmente melhor — frequentemente preferida em pacientes sensíveis.
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Cirurgia
Procedimentos quando a medicação falha ou efeitos adversos se tornam intoleráveis. Decisão caso a caso.
Dor refratária: quando o encaminhamento faz sentido
Texto de apoio — o que significa “dor refratária”
“Refratária” não significa dor forte. Significa dor que persiste apesar de tratamento adequado, conduzido por tempo suficiente e na dose correta. É uma definição operacional, e ela existe para evitar dois erros opostos: intervir cedo demais em quem ainda responderia ao tratamento clínico, e deixar sem alternativa quem já esgotou essa via.
Boa parte dos quadros tratados nesta área é de dor neuropática — dor que resulta de lesão ou disfunção do sistema nervoso periférico ou central, em vez da estimulação normal de receptores de dor (MSD Manuals). O diagnóstico é sugerido por dor desproporcional à lesão do tecido e por sensações como queimação e choque. A Associação Internacional para o Estudo da Dor a define como dor iniciada ou causada por lesão ou disfunção primária do sistema nervoso (Associação Portuguesa para o Estudo da Dor).
Essa distinção tem consequência prática direta, porque o tratamento é diferente. As diretrizes consideram como primeira linha na dor neuropática os anticonvulsivantes (gabapentina e pregabalina), os antidepressivos tricíclicos e os inibidores seletivos da recaptação, conforme a Revista Dor. Analgésico comum e anti-inflamatório costumam render pouco nesses quadros — motivo pelo qual muitos pacientes chegam relatando que “nada funciona”.
O procedimento intervencionista entra depois dessa etapa, não antes dela. E entra com um objetivo declarado: reduzir a intensidade da dor o suficiente para devolver mobilidade e função. Melhora parcial com recuperação de atividade é um desfecho legítimo e frequentemente o realista.
Dr. [Nome], CRM [número]. A indicação de cada etapa varia conforme avaliação individual.
- “Refratária” não é sinônimo de “forte” — significa dor que persiste apesar de tratamento adequado por tempo e dose suficientes.
- Geralmente descreve dor neuropática — aquela que resulta de lesão ou disfunção do sistema nervoso, e não da estimulação normal de receptores de dor.
- Não tem como única resposta a cirurgia — a linha intervencionista (bloqueios, radiofrequência, neuromodulação) existe justamente para casos esgotados no tratamento clínico.