Como trabalhamos
Antes de qualquer decisão, vamos conversar sobre sua história, examinar com cuidado e discutir todas as opções — cirúrgicas ou não.
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Avaliação completa
Histórico, exame físico neurológico e revisão detalhada de imagem cerebral.
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Decisão compartilhada
Você entende todas as opções, riscos e benefícios antes de qualquer escolha.
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Planejamento por imagem
Integração de tomografia, ressonância e neuronavegação para definir o acesso mais seguro.
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Acompanhamento próximo
Consultas de retorno periódicas, contato direto com a equipe e suporte no pós.
Tumores cerebrais
Dor de cabeça que muda de padrão: quando investigar o cérebro
Dor de cabeça é uma das queixas mais comuns da medicina, e a grande maioria não tem relação com tumor. O que muda a conversa não é a dor em si — é o padrão dela.
Entre os sinais mais descritos está a cefaleia persistente que piora de forma gradual, com destaque para o predomínio matinal. Somam-se a ela, dependendo da região afetada, visão embaçada, vômitos, perda de equilíbrio, confusão mental e crises convulsivas (Hospital Israelita Albert Einstein). Vale registrar algo que costuma passar batido: esses sintomas podem ocorrer também em tumores não cancerígenos, porque o problema não é apenas a natureza da lesão, é o espaço que ela ocupa dentro de uma caixa rígida.
Justamente por isso os sintomas variam tanto conforme localização, tamanho e tipo do tumor (Beneficência Portuguesa de São Paulo). Uma lesão pequena em área nobre pode dar sintoma antes de uma lesão maior em região silenciosa.
O caminho do diagnóstico é ordenado. Começa pelo exame físico e neurológico detalhados, seguido de neuroimagem — a extensão da doença é avaliada no mínimo por tomografia contrastada, complementada por ressonância magnética quando disponível, conforme as diretrizes diagnósticas e terapêuticas do Ministério da Saúde e Conitec. A ressonância é o exame central nesse processo (Vencer o Câncer).
A conduta depende do tipo, da localização e da condição clínica de cada paciente, e é definida em discussão multidisciplinar. A cirurgia tem papel tanto diagnóstico — obter tecido para análise — quanto terapêutico, e nem todo caso começa por ela.
Se você tem dor de cabeça que mudou de característica, acorda com dor, ou notou alteração de visão, equilíbrio, fala ou memória, isso merece investigação com exame neurológico e imagem. Uma crise convulsiva pela primeira vez na vida adulta pede avaliação sem demora.
Dr. [Nome], CRM [número] — Neurocirurgia. A indicação e a resposta ao tratamento variam conforme avaliação individual.
Quando procurar investigação
- Dor que mudou de característica ou acorda com dor, com predomínio matinal
- Visão embaçada, vômitos persistentes, perda de equilíbrio
- Confusão mental, alteração de fala ou de memória
- Crise convulsiva pela primeira vez na vida adulta
- Déficits neurológicos focais progressivos
Aneurismas cerebrais
Aneurisma cerebral: duas vias de tratamento, uma decisão anatômica
Aneurisma é uma dilatação na parede de uma artéria cerebral. Muitos são descobertos por acaso, em exames feitos por outro motivo, e permanecem sem sintoma. Outros se rompem — e aí o quadro é de emergência.
Quando existe indicação de tratar, existem duas vias. A endovascular, feita por dentro do vaso, em geral por acesso arterial femoral ou radial, implantando dispositivos que excluem o aneurisma da circulação (Hospital Israelita Albert Einstein). E a microcirúrgica, a clipagem, realizada por craniotomia, com colocação de um clipe na base do aneurisma.
A escolha entre as duas não é questão de preferência nem de modernidade. É anatomia. Uma análise publicada na revista da Associação Catarinense de Medicina aponta que a clipagem microcirúrgica mantém alta taxa de oclusão completa e baixa mortalidade, sendo preferencial para aneurismas da artéria cerebral média e para lesões complexas, ainda que com maior risco em determinados cenários. A indicação da clipagem depende de critérios anatômicos bem específicos — localização, formato do colo do aneurisma, relação com vasos adjacentes.
Isso significa que a pergunta útil na consulta não é “qual técnica é melhor”, mas “qual técnica é melhor para este aneurisma, nesta pessoa”. Os fatores que pesam incluem tamanho e localização da lesão, se houve ou não ruptura, idade e condições clínicas gerais.
Há um sinal que não admite espera: dor de cabeça de início súbito e intensidade nunca antes experimentada, muitas vezes descrita como um estouro, às vezes com rigidez de nuca, vômito ou perda de consciência. Isso é suspeita de hemorragia por ruptura de aneurisma e exige atendimento de urgência imediato.
Se você recebeu um diagnóstico incidental de aneurisma, ou tem história familiar, uma avaliação especializada esclarece se há indicação de tratar ou de acompanhar.
Dr. [Nome], CRM [número] — Neurocirurgia. A indicação e a resposta ao tratamento variam conforme avaliação individual.
- Via endovascular — Acesso pelo interior do vaso, em geral por cateterismo femoral ou radial. Dispositivos implantados (molas ou stents) ocluem o aneurisma sem craniotomia.
- Via microcirúrgica (clipagem) — Por craniotomia, com clipe metálico posicionado na base do aneurisma. Preferência anatômica para lesões complexas da artéria cerebral média.
Sinal de emergência
Dor de cabeça de início súbito e intensidade nunca antes experimentada — frequentemente descrita como um estouro —, às vezes com rigidez de nuca, vômitos ou perda de consciência. Suspeita de hemorragia por ruptura de aneurisma. Atendimento de urgência imediato.
Traumatismo cranioencefálico
Traumatismo craniano: o que a equipe avalia nas primeiras horas
Depois de uma pancada na cabeça, a pergunta que aflige a família é direta: precisa operar? A resposta se constrói por etapas, e entender essas etapas ajuda a atravessar o momento.
A avaliação começa por história clínica, exame físico geral e medida do nível de consciência pela Escala de Coma de Glasgow na admissão, com estabelecimento de graduações de risco (Associação Médica Brasileira). O TCE grave é definido por pontuação igual ou inferior a 8 nessa escala.
A imagem entra em seguida, e ela responde a perguntas específicas. Existe sangramento? Onde? Quanto desvia as estruturas centrais do cérebro? O desvio da linha média é um parâmetro importante para a indicação de tratamento cirúrgico: as diretrizes brasileiras de atendimento ao TCE registram que, com desvio entre 12,2 mm e 15 mm, o paciente se encontra em coma, e acima desse valor o prognóstico é grave.
As principais indicações cirúrgicas são hematomas intracranianos — epidurais, subdurais e intraparenquimatosos —, edema cerebral refratário e sinais de herniação iminente (Research, Society and Development). Fraturas com afundamento também entram nesse grupo, e os procedimentos incluem evacuação do hematoma e craniectomia descompressiva.
Um ponto merece destaque porque engana. O hematoma epidural pode cursar com um intervalo de lucidez: a pessoa se recupera aparentemente bem, conversa, parece estável, e horas depois o nível de consciência deteriora (MSD Manuals). Sentir-se bem logo após o trauma não descarta lesão em evolução.
Procure atendimento de urgência se, depois de um trauma na cabeça, houver perda de consciência, vômitos repetidos, sonolência crescente, confusão, dor de cabeça que piora, convulsão, fraqueza em um lado do corpo ou saída de líquido pelo nariz ou ouvido. Em idosos e em quem usa anticoagulante, o limiar para buscar avaliação deve ser ainda mais baixo.
Dr. [Nome], CRM [número] — Neurocirurgia. A conduta varia conforme avaliação individual de cada caso.
Sinal que engana: janela de lucidez
O hematoma epidural pode cursar com um intervalo de lucidez — a pessoa conversa, parece estável, e horas depois o nível de consciência deteriora. Sentir-se bem logo após o trauma não descarta lesão em evolução. Reavaliação clínica e imagem são mandatórias mesmo em recuperação aparente.
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Avaliação clínica
História, exame físico geral e Escala de Coma de Glasgow na admissão.
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Imagem cerebral
Tomografia contrastada identifica sangramentos e desvio de linha média; ressonância complementa.
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Indicação cirúrgica
Hematomas com efeito de massa, edema refratário, sinais de herniação iminente.
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Procedimento
Evacuação do hematoma, drenagem ou craniectomia descompressiva.
Hidrocefalia
Caminhar arrastado, memória falhando e perda de urina: nem sempre é envelhecer
Existe um quadro neurológico que costuma ser confundido com o envelhecimento natural, e essa confusão tem custo — porque ele tem tratamento.
A hidrocefalia de pressão normal foi descrita em 1964 por Salomón Hakim e acomete sobretudo idosos entre 60 e 80 anos. Ela se manifesta por uma tríade clínica: distúrbio da marcha, declínio cognitivo e incontinência urinária (Arquivos Brasileiros de Neurocirurgia, via BVS). O nome vem de um achado que pode parecer contraditório — há aumento dos ventrículos cerebrais sem elevação da pressão intracraniana medida.
A marcha é em geral o primeiro sintoma e o mais característico: passos curtos, pés como que colados ao chão, dificuldade para iniciar o movimento e para virar. Vem daí a razão do erro frequente de interpretação, tanto pela família quanto em avaliações superficiais, que atribui o conjunto a demência de outra causa ou simplesmente à idade.
O diagnóstico é clínico-radiológico, apoiado em provas funcionais. Um elemento importante da avaliação clássica é a melhora clínica após punção lombar com retirada de líquor, que ajuda a prever resposta ao tratamento (Revista Científica FT). O tratamento estabelecido é a derivação ventrículo-peritoneal, com implante de válvula — disponível no SUS para casos de hidrocefalia, conforme nota técnica do NATJUS do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
Uma ressalva honesta: não todo paciente com essa tríade tem hidrocefalia de pressão normal, e não todo paciente diagnosticado responde igualmente à derivação. É exatamente por isso que a investigação com provas funcionais antecede a indicação cirúrgica, em vez de partir direto da imagem.
Se um familiar idoso começou a andar de forma arrastada, com passos curtos, e isso vem acompanhado de mudança de memória e de perdas urinárias, vale uma avaliação neurológica específica. Não parta do princípio de que é só a idade.
Dr. [Nome], CRM [número] — Neurocirurgia. A indicação e a resposta ao tratamento variam conforme avaliação individual.
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Marcha
Passos curtos, pés como colados ao chão, dificuldade para iniciar e virar.
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Cognição
Falhas de memória recentes, lentificação no raciocínio, dificuldade de atenção.
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Continência
Perda urinária involuntária, por vezes interpretada como parte do envelhecimento.
Tecnologia aplicada ao procedimento
Planejamento por imagem e monitoramento intraoperatório: o que essas ferramentas fazem
Duas ferramentas aparecem com frequência quando se fala de cirurgia craniana, e vale explicar o que cada uma realmente faz.
O planejamento guiado por imagem, ou neuronavegação, integra dados estruturais, funcionais e metabólicos do exame de imagem ao campo cirúrgico, permitindo localizar a lesão e planejar o acesso com precisão (Editora Pasteur, revisão de literatura sobre neuronavegação em tumores cerebrais).
A monitorização neurofisiológica intraoperatória acompanha a função nervosa durante o procedimento, com o objetivo de identificar e preservar áreas eloquentes — regiões motoras e de linguagem, por exemplo — e assim evitar lesões neurológicas (relatório da Conitec sobre monitorização em tumores do tronco encefálico e do quarto ventrículo; Anales del Sistema Sanitario de Navarra).
Aqui entra a ressalva que sustenta a credibilidade de qualquer texto sobre tecnologia médica. As diretrizes de neurocirurgia da Associação Médica Brasileira sobre uso da neuronavegação não demonstram diferença estatisticamente significativa de mortalidade a favor da técnica. Ou seja: são recursos de precisão e de planejamento, com finalidade de segurança funcional — não garantia de resultado, e não substituto do critério de indicação.
A decisão de operar precede a escolha das ferramentas. E nenhuma delas elimina o risco inerente a uma cirurgia craniana.
Dr. [Nome], CRM [número]. A indicação da via cirúrgica e dos recursos empregados varia conforme avaliação individual de cada caso.
- Neuronavegação — Integra dados de ressonância e tomografia ao campo cirúrgico. Localiza a lesão e planeja o acesso com precisão milimétrica.
- Monitorização neurofisiológica intraoperatória — Acompanha em tempo real a atividade nervosa durante o procedimento. Identifica e preserva áreas eloquentes (motoras, linguagem, visão).
- Não substitui o critério clínico de indicação cirúrgica.
- Diretrizes da AMB não demonstram ganho de mortalidade — é ferramenta de precisão, não garantia de resultado.
- Não elimina o risco inerente à cirurgia craniana.