O Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, é uma das condições de saúde mais desafiadoras e impactantes da atualidade. De acordo com dados da Organização Mundial do AVC, cerca de 100.000 pessoas morreram no Brasil no último ano decorrente da doença, o que representa uma alarmante média de 12 óbitos por hora no país [1].
Apesar de esses números parecerem expressivos, a informação mais importante que você precisa guardar é: 90% dos derrames poderiam ser evitados com a adoção de medidas preventivas e o controle de fatores de risco [1, 2].
Neste artigo, o neurocirurgião Dr. Marcelo Chioato esclarece o que é o AVC, quais são os seus tipos, os fatores de risco envolvidos e como a prevenção é o caminho mais seguro para proteger o seu cérebro.
O que é o AVC e quais são os seus tipos?
O AVC ocorre quando há uma alteração no fluxo de sangue que irriga o cérebro, danificando as células cerebrais na região afetada. O problema se manifesta principalmente de duas formas [1, 2]:
1. AVC Isquêmico
Representa a obstrução ou “trombose” de vasos sanguíneos dentro do cérebro, impedindo a passagem do sangue [1]. Ele se subdivide em dois tipos principais [1]:
- AVC Isquêmico Aterotrombótico: Provoca a oclusão direta dos vasos sanguíneos cerebrais [1].
- AVC Isquêmico Cardioembólico: Ocorre quando os êmbolos que causam o entupimento saem do coração e viajam até o cérebro [1].
2. AVC Hemorrágico
Ocorre quando há um rompimento de vaso com consequente sangramento dentro do crânio [2]. Esse extravasamento de sangue danifica diretamente várias áreas do cérebro [2].
Fatores de Risco: Quem está mais vulnerável?
A maior parte dos casos de derrame poderia ser evitada se houvesse uma maior conscientização sobre os fatores que alteram a fisiologia cardiovascular. Os principais fatores de risco incluem [2, 4]:
- Hipertensão arterial não tratada: A pressão alta crônica agride os vasos sanguíneos continuamente [2].
- Sedentarismo e Obesidade: A falta de atividade física e o excesso de peso corporal elevam os riscos metabólicos [2, 4].
- Tabagismo: O hábito de fumar é altamente nocivo para a saúde vascular [2].
- Diabetes Tipo 2 e Síndrome Metabólica: Problemas que se associam comumente ao envelhecimento e a hábitos de vida pouco saudáveis [4].
O AVC em jovens e crianças
Embora o AVC seja amplamente associado à população acima de 50 ou 60 anos — faixa etária mais afetada por condições como aterosclerose, hipertensão crônica e diabetes tipo 2 [3, 4] —, a doença não é impossível em jovens e crianças [3].
Nos mais jovens, o AVC é raro, mas pode acontecer devido a fatores específicos como o uso de anabolizantes, drogas ou qualquer outra substância que altere a fisiologia funcional da parte cardiovascular [2, 4]. Casos trágicos na população jovem chamam a atenção [3]:
- No Paraná, uma menina de apenas 8 anos de idade faleceu vítima de um AVC hemorrágico após queixar-se de dores de cabeça e desmaiar [3].
- Em Uberlândia, um jovem de 35 anos também perdeu a vida em decorrência de um AVC [3].
A Prevenção é a sua Melhor Defesa
A conscientização acerca dos fatores de risco é o primeiro passo para reduzir drasticamente as chances de sofrer um derrame [2]. Adotar hábitos de vida mais saudáveis — praticar exercícios físicos regulares, manter o peso sob controle, não fumar e monitorar regularmente a pressão arterial — protege o coração e, consequentemente, a integridade do seu cérebro [2].
Se você ou algum familiar possui fatores de risco, o acompanhamento médico preventivo é indispensável. Cuidar da sua saúde cardiovascular hoje é garantir a sua autonomia e qualidade de vida amanhã!